Estima-se que hoje, no Brasil, existem mais de 36 mil crianças vivendo em abrigos. Dessas, apenas pouco mais de 6 mil estão aptas para serem adotadas, já que as demais ainda possuem vínculos com a família biológica ou o processo de destituição do poder familiar se encontra em curso perante o Judiciário.

Embora o procedimento perante o juiz seja necessário para que se possa dar início ao processo de adoção, a morosidade acaba sendo responsável por ajudar a minar as chances das crianças e adolescentes serem inseridas numa nova família. Tudo isso, em média, deveria durar 120 dias, mas ultrapassa o prazo de cinco anos, no mínimo.

O número de crianças atualmente inscritas no Cadastro Nacional de Adoção – CNA, ultrapassa o número de 6 mil, enquanto o de possíveis pais inscritos chega a mais de 35 mil. O número de interessados em adotar daria facilmente para zerar o cadastro, mas devido às exigências feitas, isso torna-se quase impossível.

A maioria dos pais querem crianças com perfis pré-determinados que são raros no CNA. Buscam por crianças de até cinco anos e etnia branca. Acontece que a maior quantidade de crianças disponíveis para adoção passa dos seis anos e são pardas ou negras.

A demora do Judiciário em agilizar o processo de destituição do poder familiar e, consequentemente, o de adoção, acaba fazendo com que elas envelheçam nos abrigos e tenham reduzidas as chances de encontrarem nova família. Os adotantes acreditam, em geral, que uma criança mais nova possuirá mais facilidade de adaptação, além de quererem que ela possua semelhanças físicas com eles.

Muitas das crianças disponíveis para adoção possuem irmãos, o que torna preferível a adoção de todos eles, para evitar que sofram mais uma vez com a separação da família biológica. O entrave, nesse aspecto, é que grande parte dos que adotantes querem apenas uma criança, seja por questões financeiras ou pessoais, o que inviabiliza a adoção conjunta.

Ademais, muitas das varas da Infância e Juventude não possuem profissionais suficientes para atender a demanda. Faltam juízes, psicólogos e assistentes sociais em número necessário para suprir a quantidade de processos existentes, de forma que, infelizmente, não há como tornar mais célere os procedimentos de adoção num futuro tão próximo.

Referências Bibliográficas:
MATUOKA, Ingrid. Para cada criança na fila de adoção há seis famílias interessadas. Disponível em: <http://www.cartacapital.com.br/sociedade/para-cada-crianca-na-fila-de-adocao-ha-quase-seis-pais-possiveis-2498.html>. Acesso em 12 de maio de 2016.
Imagem ilustrativa. Disponível em <http://inforpeople.org/wp-content/uploads/2014/04/adoption.jpg>. Acesso em 30 de maio de 2016.

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