RESUMO

 

O presente artigo tem como objetivo mostrar as expectativas das famílias frente à gravidez e o filho esperado, até o choque do diagnóstico da criança com deficiência. De acordo com pesquisas bibliográficas, iremos entender o misto de sentimentos sendo eles culpa frustração, depressão, o que denominará “fase do luto” que os pais enfrentarão, este que demanda um tempo até que consigam aceitar essa criança. A importância da APAE nessa fase da família com seu filho é de grande importância, principalmente pela família poder contar com a equipe técnica, para expor seus medos, anseios e insegurança, para que o profissional auxilie e mostre todas as fases que a família passará, começando pelos encaminhamentos necessários e mostrando que os pais serão fundamentais para o desenvolvimento dessa criança, bem como a inclusão na sociedade. A metodologia escolhida caracteriza em um estudo descritivo, com levantamento bibliográfico e pesquisa de campo, onde foi entrevistada uma profissional. Possui uma abordagem qualitativa, desenvolvido a partir do estágio realizado na Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais de Castro – PR

Palavras-chave: Aceitação. APAE.  Deficiência. Serviço Social

  1. INTRODUÇÃO

              O presente estudo analisa, a partir da revisão da literatura e de dados empíricos, como ocorre a reestruturação da família quando há o nascimento de uma criança com deficiência. Tendo como objetivos entender os anseios dessas famílias, seus medos e o processo de sua desestruturação e posterior reestruturação,  adquirir uma melhor compreensão dos fatos que influenciam o desenvolvimento da criança com deficiência e a importância da família em sua fase de socialização, bem como descrever a importância do profissional técnico na instituição que irá dar apoio à família. O nascimento de uma criança deficiente traz nova realidade à família. Vamos por meio desse, apreender quais reações, explicações, sentimentos e expectativas os pais exprimiam frente à notícia da deficiência do filho. Os pais experimentam a perda das expectativas e dos sonhos que haviam construído em relação ao futuro descendente

            Todos vivenciam o choque e o medo com relação ao evento ou ao reconhecimento da deficiência, bem como a dor e a ansiedade de se imaginar quais serão as implicações futuras. Todos experienciam a perda que gera desapontamento, frustração, raiva, à medida que desaparecem a liberdade e o tempo para o lazer (VASH, 1988). Esses sentimentos e processos pelos quais passam os pais vão interferir diretamente na aceitação da criança. Os pais ao perderem o filho desejado podem, imersos em seu sofrimento e não elaborando o luto, estarem impedidos de estabelecer um vínculo com o bebê real. Podem fazê-lo, por exemplo, com o bebê desejado e perdido, ficando, assim, prisioneiros da melancolia. Ou podem, paradoxalmente, estabelecer o vínculo com a deficiência e não com o filho deficiente, ou seja, suas relações estarão baseadas no fenômeno e não na criança, nas práticas terapêuticas e não nas necessidades humanas (AMARAL, 1995). Torna-se, assim, de suma importância, a maneira pela qual os pais vão explicar a causa da deficiência de seus filhos – a compreensão do significado do problema.

Ao realizar estágio supervisionado obrigatório na APAE[1] de Castro, me deparei com inúmeros pais, que buscavam mais informações a respeito da deficiência de seu filho, porém, o acompanhamento mensal com a equipe técnica não é suficiente para sanar todas às duvidas existentes. Então, nesse sentido o presente artigo irá buscar mostrar os desafios frente ao diagnóstico, e como a equipe de saúde irá auxiliar – ou não – na aceitação da família, e como a instituição da APAE irá desenvolver o acolhimento dois pais e filho.

Este é um estudo descritivo, com levantamento bibliográfico, a qual utiliza de publicações científicas em periódicos, livros, anais de congressos etc., não se dedicando à coleta de dados in natura, porém não configurando em uma simples transcrição de ideias. Foi utilizada também, uma pesquisa de campo, onde foi entrevistada uma profissional. Possui uma abordagem qualitativa, desenvolvido a partir do estágio realizado na Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais de Castro – PR, com acompanhamento da Assistente Social em escutas qualificadas e visitas domiciliares com famílias que haviam recebido o diagnóstico da criança com deficiência há pouco tempo.

No desenvolvimento, vamos trabalhar com dois subtópicos, sendo eles “A Família frente ao Diagnóstico”, este que mostrará quais os cuidados que a equipe médica deve ter frente ao diagnóstico da criança com deficiência, e como deve ser comunicado à família, visto que esse primeiro momento será responsável pela aceitação – ou não – dos pais, visto que a forma que essa noticia é ofertada, pode trazer impactos negativos dos pais com o filho. O segundo tópico, “Acolhimento: o papel do Assistente Social quando à família chega a APAE”, mostrará a importância do profissional de Serviço Social neste primeiro momento, pois, a esses pais chegarão totalmente confusos e com o misto de sentimos. Eles estarão confusos e com muitas dúvidas, estas que terão que ser sanadas pelo profissional, e como ele irá trabalhar para poder auxiliar a família neste encontro.

  1. DESENVOLVIMENTO

 

2.1 A FAMÍLIA FRENTE AO DIAGNÓSTICO

 

Podemos caracterizar a família como:

Um núcleo de pessoas que convivem em determinado lugar, durante um lapso de tempo mais ou menos longo e que se acham unidas (ou não) por laços consangüíneos. Este núcleo se acha relacionado com a sociedade, que lhe impõe uma cultura e ideologia particulares, bem como recebe dele influências específicas (SOIFER, 1989, p. 22).

 Ao longo do tempo, a família vai se modificando e, portanto, sua dinâmica e estrutura variam nas diversas sociedades e épocas históricas (LAING, 1971). Geralmente, os papéis sociais desempenhados por membros da família são definidos pelo contexto cultural, o qual favorece um determinado tipo de interação permeado por valores e regras (CARVALHO, 2000). A maioria das famílias é uma organização com certa estabilidade social, promotora de apoio emocional e é onde se adquire senso de identidade, aceitação própria e solidariedade. Dessa forma, as famílias são locais de resistência à pressão externa exercida pelo mundo (MUNCIE e colaboradores, 1999).

No entanto, essa estrutura sólida e acolhedora parece ser abalada com o nascimento de uma criança com deficiência (FIUMI, 2003) e, por isso, cabe aos profissionais envolvidos no diagnostico e no tratamento dessa criança, preocupar-se com a melhor forma de comunicar à família, para que ela se sinta amparada e aberta para tirar suas dúvidas, que serão muitas e orientada em relação aos cuidados necessários. A maneira como o profissional comunica o diagnóstico da deficiência pode amenizar o choque dos familiares. Embora os pais tenham o direito de saber o diagnóstico do seu filho, cabe a essa equipe de saúde a escolha do momento mais oportuno e da maneira mais adequada para comunicar a família (SCHWARTZMAN, 1999). Embora não exista a forma ideal para essa tarefa, os estudos apontam algumas abordagens consideradas mais adequadas.

A comunicação deve ser feita de preferência com a presença da mãe e do pai juntos, num lugar de privacidade, onde não ocorram interrupções, para que os pais possam tirar todas as dúvidas existentes no momento. A pessoa responsável pelo comunicado deve inspirar confiança e não utilizar vocabulário técnico-científico que dificulte a compreensão. Além disso, ela deve estar consciente de que, nesse momento, os pais estão sujeitos a reações emocionais e muitas vezes precisam contar com uma atitude de continência do profissional. Essas atitudes poderão ajudar no estabelecimento do vínculo dos pais e da criança posteriormente (SCHWARTZMAN, 1999).

O momento da comunicação do diagnóstico de uma deficiência é considerado muito importante tanto para a família quanto para o desenvolvimento da pessoa com deficiência. É de extrema importância informar os pais, no momento da notícia, sobre as próximas etapas a serem realizadas com a criança: exames, instituições especializadas a serem procuradas e os tipos de tratamentos necessários (SCHWARTZMAN, 1999). Após o diagnóstico, a família deve entrar em contato com profissionais de várias áreas para sanar eventuais dúvidas não esclarecidas, visto o elevado número de informações transmitidas na ocasião e a impossibilidade de assimilação total. A relação dos pais com a equipe responsável pelo tratamento, geralmente, é permeada por diversos sentimentos, tais como: insegurança em relação à competência da equipe e inibição para o questionamento acerca do que é realizado com a criança. Cada família reage de forma muito peculiar à notícia da deficiência. Algumas passam por período de crise aguda e recuperam-se gradativamente, outras apresentam mais dificuldades e acabam estabelecendo uma situação crônica de desequilíbrio. Essas duas situações têm em comum o processo de luto (SCHWARTZMAN, 1999).

O descobrimento da deficiência de um filho, tanto no seu nascimento quanto no seu crescimento, representa para os pais o fim do sonho de criar um ser perfeito, um ser já idealizado, e por isso ocorre a fase de luto, que inicia frente ao diagnóstico até a fase de aceitar esta criança com suas reais potencialidades. Sentimentos como incapacidade, choque, tristeza, confusão, ambigüidade, culpa, medo, raiva, lamentação, autopiedade e frustração são esperados da família, já que seu núcleo encontra-se debilitado e vulnerável (FINNIE, 1980).

 Segundo Bromberg (2000), este processo de luto pode ser dividido em fases, porém estas podem mudar de acordo com cada família em suas especificidades e diferenças individuais. Dessa forma, as etapas desse processo são: entorpecimento (onde ocorre o choque e descrença diante do acontecimento, tem duração de horas ou dias, pode ser acompanhada de crises de raiva ou de desespero e de alguns sintomas somáticos). Outra característica é a tentativa de retomar o estilo de vida anterior ao nascimento da criança; anseio e protesto (há muito sofrimento psicológico e agitação física. Ao perceber de forma mais consciente a perda, a pessoa enlutada busca ansiosamente pelo “filho perdido” e muitas vezes surge a raiva contra si e contra outras pessoas, desespero (há o reconhecimento da irreversibilidade da perda; instala-se, então, a apatia e a depressão, bem como o afastamento de atividades e de pessoas recuperação e restituição (a depressão e a apatia dão espaço a sentimentos mais favoráveis; surge nova identidade que favorece o estabelecimento de novas relações de amizade e o resgate de antigos laços).

 A vivência das fases de luto é importante para que a família se reestabeleça e se adapte à nova realidade, modificando hábitos e situações cotidianas para o melhor acolhimento.

A extensão e a profundidade do impacto deste nascimento são indeterminadas, depende da dinâmica interna de cada família e do significado que este evento terá para cada um (FABER, 1972). No entanto, a família acaba procurando meios de se adequar à nova realidade. Desenvolvem duas maneiras de lidar com a informação: enfrentando e reagindo (MILLER, 1995). Enfrentar significa fazer aquilo que é preciso, lidar com problemas e avançar. Reagir significa lidar com emoções que incluem desde confusão até o medo da incompetência.

Historicamente, no Brasil, as pessoas com deficiência, têm sido triplamente excluídas da sociedade: pela deficiência, pelo preconceito e pela pobreza. O processo de inclusão exige que haja transformações não somente no ambiente físico, como também na mentalidade das pessoas, devendo a sociedade se adaptar para incluir as pessoas com deficiência e prepará-las para assumir sua cidadania.

Todos vivenciam o choque e o medo com relação ao evento ou ao reconhecimento da deficiência, bem como a dor e a ansiedade de se imaginar quais serão as implicações futuras. Todos experienciam a perda que gera desapontamento, frustração, raiva, à medida que desaparecem a liberdade e o tempo para o lazer (VASH, 1988).

Segundo Mayrink (1986), ao nascimento de uma criança, os pais se preocupam com a saúde de seu filho, e a ansiedade em saber se ele é normal sempre está presente, podendo ser explicitada pela pergunta tão comum: “Meu filho é normal, doutor?”. Quando está tudo bem com a criança, as respostas são fáceis, porém ao se detectar de imediato um problema, notam-se as reticências dos profissionais.

A tempestade começa na maternidade, quando o problema é evidente e permite chegar a um diagnóstico imediato. Mas, na grande maioria dos casos, é somente após meses ou anos que se identifica a excepcionalidade – grave ou leve – de uma criança que até então não tinha diagnóstico conclusivo. Quando o especialista descobre, quase sempre depois de uma interminável peregrinação dos pais pelos consultórios, o impacto não é menor (Mayrink, 1986, p. 18).

 Toda situação diagnóstica é caracterizada por uma relação de ajuda, na qual o paciente necessita do profissional para a resolução de uma situação de crise. Essa situação é permeada por sentimentos tanto do profissional quanto do paciente/família. Por parte do primeiro, existe a expectativa pelo estabelecimento de um novo contato, no qual ele deseja atuar de forma competente, útil, compreensiva, acolhedora e, principalmente, tolerante ao sofrimento alheio (SALZBERGER-WITTENBERG, 1973).

De acordo com Tetelbom e colaboradores (1993), o profissional também tem dificuldade em lidar com suas limitações e com a própria condição de mortal, bem como com os sentimentos provocados pelo encontro dele com as famílias (contratransferência). O paciente e sua família têm a esperança de que o profissional seja o responsável pela diminuição do sofrimento e da angústia, assim como desejam ser acolhidos, amparados e não responsabilizados pela situação em que se encontram.

Esses sentimentos e processos pelos quais passam os pais vão interferir diretamente na aceitação da criança. Os pais ao perderem o filho desejado podem, imersos em seu sofrimento e não elaborando o luto, estarem impedidos de estabelecer um vínculo com o bebê real. Podem fazê-lo, por exemplo, com o bebê desejado e perdido, ficando, assim, prisioneiros da melancolia. Ou podem, paradoxalmente, estabelecer o vínculo com a deficiência e não com o filho deficiente, ou seja, suas relações estarão baseadas no fenômeno e não na criança, nas práticas terapêuticas e não nas necessidades humanas (AMARAL, 1995). Torna-se, assim, de suma importância, a maneira pela qual os pais vão explicar a causa da deficiência de seus filhos – a compreensão do significado do problema.

Conforme vão superando e sobrevivendo à deficiência, começam a criar expectativas que vão de positivas à negativas. Esperam desde o desenvolvimento da criança até a completa incredibilidade em relação a situação do filho (OMOTE, 1980). É interessante notar que essas expectativas também podem ser influenciadas pelas explicações que constroem como causa da deficiência (Brunhara & Petean, 1998). Independente da explicação que possuem, as mães esperam que o desenvolvimento do filho melhore, ou seja, normal. Para Petean (1995, p. 27) “o desejo de cura é uma constante”.

A influência da família no processo de integração social do deficiente é uma questão que deve ser analisada levando em consideração dois ângulos: a facilitação ou impedimento que a família traz para a integração da pessoa com deficiência na comunidade e na sua própria família. É na família que o bebê estabelece os primeiros vínculos afetivos que o levarão a ter autoconfiança e confiança nas pessoas, desenvolvendo sua independência. Para tal, o bebê conta, a princípio, com a mãe (ou da figura cuidadora) que assegura o primeiro vínculo, com o pai, irmãos, avós ou pessoas que complementam a função materna e familiar. O padrão de apego estabelecido na infância seria vital na vida adulta pois, através dele, os vínculos se tornarão mais duradouros, gerando na criança competência social, emocional e cognitiva.

O processo de espera durante a gestação e a consequente preparação do casal para o nascimento de um filho estabelecem, desde logo, a existência idealizada desse filho, o qual é desejado que nasça saudável, sem deficiências. Por conseguinte, a constatação da deficiência na criança representa, para os pais, a perda do filho até então idealizado.

A confirmação de que a criança possui deficiência se apresenta como um transtorno psicológico importante para a família, pois torna-se uma fonte poderosa de constantes conflitos, que repercutem, profundamente, não apenas nos pais e nos demais membros do grupo familiar, mas também, de forma muito significativa, na própria criança, dada a relativa restrição de sua capacidade de elaboração das situações de ordem psicológica, cognitiva e afetiva ao longo de sua vida.

A família a qual pertence à criança com deficiência exerce importante papel contrapondo-se à sua marginalização. Tem a importante função de proporcionar a esta criança tornar-se sujeito desejante, uma pessoa que possa transformar seus impulsos em desejos, buscando realizá-los – dentro do quadro de sua diferença e por meio dela.

A rede de apoio familiar favorece a formação de vínculos e estruturação da vida da criança com deficiência física ampliando suas possibilidades a partir da autoestima advinda da afetividade. Esta rede, não pode, portanto, ser ignorada no referente ao desenvolvimento e à socialização dessa criança.

Durante todo o percurso de convívio com a pessoa com deficiência, ocorrem várias situações através das quais os pais estarão submetidos à frequentes movimentos de rejeição e aceitação, de forma inconsciente, em relação ao filho, em função da possibilidade (ou não) de elaborarem psiquicamente o fato de que ele não é plenamente saudável.

Assim, torna-se necessário que eles construam novas idealizações, levando agora, em consideração, um novo ideal para esse filho que se constituiu na realidade, ou seja, todo o projeto anterior dos pais terá que ser refeito ou re-significado para que, em consequência, possam ofertar novos significantes ao filho que nasceu com “falhas”, podendo continuar proporcionando-lhe e dirigindo-lhe investimentos libidinais.

Por meio das relações de cuidado, a família transmite valores como os de tolerância e respeito às diferenças, corroborando para um desenvolvimento adequado, especialmente quando os serviços sociais são inadequados e as políticas públicas insuficientes. Por essa razão iremos mostrar a importância do profissional de Serviço Social dentro da política de educação e de saúde na APAE de Castro.

2.1 aCOLHIMENTO: O  PAPEL DO ASSISTENTE SOCIAL QUANDO À FAMÍLIA CHEGA À APAE

Na década de 1950 surgiram as Associações de Pais e Amigos dos Excepcionais – APAE. A principal característica das APAEs é o foco educativo de crianças deficientes por meio de atividades pedagógicas. Atualmente, as APAEs são reconhecidas como a maior rede de assistência brasileira. Hoje, além das atividades pedagógicas, muitas APAEs contam com a diversidade de equipes técnicas especializadas para o atendimento, como psicólogos, assistentes sociais, fonoaudiólogos, nutricionistas. Em dez de dezembro de mil novecentos e setenta e um (10/12/1971) surge em Castro a Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais, esta que por sua vez, atende deficiência intelectual e múltiplas em ambiente escolar, bem como a domicilio. Atualmente a entidade presta serviço para três políticas: Educação, Saúde e Assistência Social.

A Educação Básica na modalidade de Educação Especial consiste num atendimento educacional especializado destinado à Criança, ao Jovem e ao Adulto com Deficiência Intelectual, Múltiplas Deficiência e Transtornos Globais de Desenvolvimento, que envolve um conjunto de recursos humanos e ambientais com metodologias e adaptações institucionais com atenção individualizada nas atividades escolares, autonomia e socialização, a fim de promover competências e se tornar inclusiva.

A Saúde consiste em atividades com o objetivo de promoção à saúde da pessoa com deficiência, com base nas políticas públicas, normativas do SUS e diagnóstico das ações de reabilitação na entidade.

No política pública de Assistência Social, a entidade conta com duas assistentes sociais, sendo uma responsável na parte de encaminhamentos necessários no SUS, atendimento invidual e com a família, acolhimento inicial e visitas domiciliares, e a outra trabalha especificamente com projetos dentro da APAE.

Após essa compreensão das politicas aplicadas dentro da APAE, vamos entender qual o papel do profissional de serviço social, através de uma entrevista com Silvana Volaco Pinheiro, a Assistente Social da APAE, a qual destacou a importância da acolhida inicial: “Em primeiro lugar é preciso ouvir as angustias e ansiedades das famílias, que é como a grande maioria chega até a entidade”. Sendo assim, compreendemos que para que aja um bom relacionamento entre família e escola, o profissional faz essa intervenção no âmbito de três políticas: saúde, educação e assistência, para poder fazer os encaminhamentos necessários e dar suporte à família. Silvana também ressaltou a importância desse trabalho pois segundo ela “quando nasce um ser humano diferente das características que os pais imaginam, esses ficam desesperados, sem rumo, sem saber como agir, é como se o mundo caísse sobre suas cabeças. Todos os seus objetivos foram por água abaixo, ficam se sentindo culpados e alguns acabam entrando em depressão”.

A APAE entra para apoiar e auxiliar essas famílias, dando suporte necessário para superar as dificuldades que irão enfrentar ao longo da vida. Dessa maneira, a assistente social ainda destaca que é preciso muito trabalhar o preconceito que existe em relação às APAEs, que em pleno século XXI ainda temos que desconstruir e trabalhar uma mudança de paradigma.

A relação profissional-paciente/familiares é muito importante no momento diagnóstico e ao longo do tratamento. Essa relação deve ser caracterizada pelo estabelecimento de vínculo, o qual é definido por Ferreira (1986) como: tudo o que ata, liga, ligação moral; relação, nexo; prender, unir. No âmbito da saúde, criar vínculos requer o estabelecimento de relações próximas e claras, de forma que o sofrimento do outro seja sensibilizador. Visa ao estabelecimento de processo que busca a autonomia do paciente, bem como o compartilhamento da responsabilidade por sua vida ou morte (RIZZOTTO, 2002). Para Rocha (1999), o paciente (deficiente ou familiar) precisa vincular-se ao profissional da área da saúde para que este possa transmitir-lhe o diagnóstico.

 Deve-se oferecer um número suficiente de informações que possibilitem ao indivíduo compreender as peculiaridades da deficiência. No diagnóstico são necessários elementos que permitam sua melhor aceitação e conseqüentemente a terapia a ser realizada. O estabelecimento do vínculo entre profissional-paciente/familiares pressupõe a aproximação para a compreensão da pessoa enferma e uma empatia mínima entre as partes envolvidas; dessa forma, o paciente passa da situação de “caso” para a de “pessoa”. Isso é possível pela disposição do profissional em relacionar-se de forma mais personalizada, menos objetada e mais humanizada, características do profissional aberto para a exploração dos relacionamentos humanos e menos defendido pelos conhecimentos científicos.

 A vinculação é uma tarefa nobre e não um jogo de sedução para perpetuar a necessidade de lisonja do profissional. A vinculação é um compromisso, uma manobra bem-intencionada, calculada, sem ser fria, movida basicamente pela intuição e pelo sentimento do profissional (BENETTON, 2002, p. 77).

 A preocupação também é de garantir a participação efetiva das famílias nos diversos temas que envolvem a criança. Ressaltando que a família, como toda a sociedade está passando por grandes transformações. Quando se é observado as histórias das famílias, é possível constatar as mudanças que vão surgindo ao longo das gerações. Segundo Relvar (1996, p.17) “a família terá que resolver com sucesso suas tarefas, também essenciais: a criação de seu sentimento de pertencer ao grupo e individualização e autonomia de seus membros”. Pois a família tem sido reconhecida como um sistema essencial para o desenvolvimento dos seus membros, exercendo um papel preponderante na promoção dos direitos humanos e na inclusão social da pessoa com deficiência.

            Sendo assim, a família é uma real fonte de apoio e desenvolvimento dessa criança, diagnosticada com deficiência, visto que os pais passarão por momentos de incertezas e inseguranças, mas o fato de estar ao lado do filho acrescentará muito nas fases em que a criança passará, e na inclusão na sociedade. O contato com a equipe técnica, também será de grande importância, pois, os profissionais envolvidos com as famílias de pessoas com deficiência possuem o maior conhecimento possível das dinâmicas pelas quais passam estas famílias para se instrumentalizarem emocional e racionalmente, uma vez que a literatura tem enfatizado a necessidade de que esses pais recebam o maior número possível de informações, que tenham suas dúvidas esclarecidas para que possam decidir com maior segurança os recursos e condutas primordiais para o bom desenvolvimento de seu filho.

 

3 Considerações Finais

 

Observando os levantamentos bibliográficos realizados, ficou evidente que a realidade atual ainda é marcada pelo preconceito existente sobre as APAEs, nesse sentido sendo muito necessário a quebra desse paradigma.

Para o assistente social, cabe articular escola-família-escola, fazendo uma abordagem sobre a importância da APAE no desenvolvimento familiar e em sociedade da criança com deficiência.

É preciso salientar que muito se espera quando a família recebe a noticia da gravidez, porém, ao receber um diagnóstico da deficiência os pais acabam entrando em desespero pela falta da criança esperada, então entra o papel do profissional de serviço social, na escuta qualificada e acolhimento incial é  ouvir todas as angustias e fazer todas orientações e encaminhamentos necessários. Cabe ao profissional assistente social desmistificar este preconceito que a família cria em relação a APAE, sendo que muitos acreditam que, se uma criança frequenta a APAE, ela está limitada apenas a essa entidade.

Este artigo apresentou a questão do fortalecimento da família, trabalho este que pode ser conduzido pelo profissional assistente social com êxito, uma vez que possui habilidades técnico-operativas, formação ético-política e teórico-metodológica. O profissional assistente social deverá desempenhar seu papel de estimular a construção de políticas públicas voltadas às pessoas com deficiência. Diante do contexto apresentado neste trabalho, podemos afirmar que uma sociedade que não aceita a pessoa com deficiência, acaba prejudicando o desenvolvimento da APAE juntamente com a família na inserção da criança no espaço público.

REFERÊNCIAS

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[1] Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais.