A educação para surdos é um tema pouco discutido, diante da importância que tem como ferramenta de inclusão. Em face disso, existe um debate acerca do sistema de ensino que deva prevalecer, dentre os principais utilizados atualmente: a educação inclusiva e o bilinguismo.

No Brasil, a Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS) foi reconhecida como língua oficial pela Lei de nº 10.436, desde de abril de 2002, sendo regulada pelo Decreto nº 5.626/2005. A Língua Portuguesa passou a ser considerada a segunda língua, na modalidade escrita, pelos surdos.

Nesse contexto, o presente texto visa apresentar alguns traços característicos desses dois sistemas de ensino e inclusão da comunidade surda. É importante ressaltar que não se pretende, com isso, tomar juízo de valor sobre qual deva prevalecer.

Educação Inclusiva

A Política Nacional de Educação Especial prevê que devem ser sempre discutidas formas de inclusão da comunidade surda. Com isso, não deveria ser de forma diferente para o ensino.

A ideia é matricular as pessoas surdas, nos seus diferentes graus de surdez, no ensino convencional. São feitas as adequações necessárias na escola para receber pessoas com deficiência auditiva.

Com isso, a pessoa surda estaria em um ambiente preparado para ouvintes. As adaptações permitiriam que alí pudesse estudar. Dentro desse sistema regular de ensino o aluno estaria em contato com as demais pessoas e com a cultura ouvinte diretamente.

Ocorre que esse é o ponto que é rebatido nessa política: as pessoas surdas tem necessidades diferentes e uma cultura própria. É insuficiente a inclusão nas escolas preparadas para ouvintes. É preciso que os profissionais tenham condições e estratégias de ensino preparadas para as pessoas com limitações auditivas.

Bilinguismo: educação bilíngue

Dentro dessa problemática, surge a proposta de oferecer ambientes de ensino preparados e com outra abordagem: são as escolas bilíngues.

Entendendo a diversidade da comunidade surda, adota a ideia de ser o ensino separado também. É uma escola exclusivamente preparada para pessoas surdas. É um ambiente de formação de identidade surda, com acesso ao conhecimento e à comunicação. Nisso se distingue a educação inclusiva e bilinguismo.

Nas escolas bilíngues brasileiras, ensina-se a LIBRAS como língua primária dos surdos e, concomitantemente, o português oral-escrito. Este, portanto, é a segunda língua que os alunos irão aprender. Com isso, prepara-se os alunos para o convívio com os ouvintes e as dificuldades da realidade. O acesso a educação estará garantido, mas não se excluíra a existência de uma cultura diferente.

Educação inclusiva e o bilinguismo

Apesar dos avanços adquiridos na educação, ainda falta muito para uma verdadeira inclusão da comunidade surda. A educação inclusiva e o bilinguismo são métodos razoáveis, mas a própria cultura brasileira de aceitação das diferenças ainda não está preparada para uma convivência pacífica.

Referências

N., S.S. S., A. L. S., L. J. S. M., S. D’A. Surdez e educação: escolas inclusivas e/ou bilíngues?. Itajubá/MG: Scielo. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/pee/v19n3/2175-3539-pee-19-03-00537.pdf. Acesso em 12 de outubro de 2016.

LODI, Ana Cláudia Balieiro. Educação Bilíngue para surdos e inclusão segundo a Política Nacional de Educação Especial e o Decreto nº 5.626/05. São Paulo: Scielo. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1517-97022013000100004. Acesso em 12 de outubro de 2016.
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