Por: Amélia da Hora e Natália Trindade

 

A carreira jurídica para muitos jovens é um sonho a ser conquistado, sonho este que contrasta diferente com a realidade cotidiano após a saída dos bancos dos universitários. Sair da faculdade já aprovado na OAB não significa que todo jovem inscrito conseguirá exercer rapidamente a profissão no mercado de trabalho, pois, até a consolidação da carreira, tem muito chão a percorrer e desafios não falta a essa categoria.

Atualmente nos quadros da OAB temos um número expressivo de jovens inscritos em idade de 25 anos (soma aproximadamente cerca de 5 % do total), e no tocante a jovem advocacia, ou seja, todos aqueles inscritos com até de 5 anos de carteira da ordem, o número representam quase metade dos um milhão e cem mil advogados ativos do país. Em um mercado que anda cada mais exigente, sobreviver neste universo obriga a jovem advocacia ter perseverança e buscar atributos que, na grande maioria das vezes, não são ensinados nos bancos das faculdades de Direito.

Ao contrário do enfoque midiático de que advogados tem ganhos altos, grandes repercussão aliado ao nome do profissional, entre tantas outras coisas que as mídias digitais promove, ser advogado e advogar hoje em dia não é tarefa fácil. Desde iniciar sua peça até ter seu mérito e êxito tem um lapso temporal grande e sobreviver em meio a uma era em que se espera tudo de imediato, é aflitivo e desgastante.

No início de carreira, um grande número de jovens advogados não tem uma estrutura financeira robusta para ter seu próprio escritório, trabalhando de forma autônoma ou como empregado em outras firmas. Isso implica que o jovem advogado enfrente desafios como a valorização dos seus honorários, lidar com a captação ética da clientela, gastos para se manter atualizado com especializações e participar de atividades que proporcione um networking. A jovem advocacia ainda precisa fazer valer a defesa de suas prerrogativas, afinal, essa categoria diariamente tem sofrido abuso no exercício de sua profissão.

Superar a falta de recursos financeiros, seja para estruturação física do seu escritório, seja para aprimoramento profissional, e a falta de formação técnica voltada para própria advocacia, como precificação dos honorários e noção das prerrogativas, são os grandes desafios de uma geração da época em que mais faculdades de Direito em instituições públicas ou particulares foram abertas. Além dos desafios materiais, há o desafio de atualizar o Código de Ética/Estatuto da Advocacia, especialmente no que tange a publicidade e captação de clientes, ao século da Inteligência Artificial e de uma geração que tem profundas conexões com as redes sociais.

Os desafios são grandes, e encantar a juventude para que a profissão de Luís Gama, Sobral Pinto e Myrthes de Campos siga firme, em defesa da Justiça, dos Direitos Humanos e da Democracia é urgente. Vivemos um momento de grandes tensões sociopolíticas, que chamam o Direito a refletir e atuar com rigidez. De fake news que inundam as redes, desvirtuando as instituições políticas e jurídicas, produzindo uma onda de insegurança jurídica, e uma desmoralização do Poder Judiciário e a noção de justiça, até Tribunais Superiores que ultrapassam a medida da sua atuação, através do ativismo jurídico, tem-se o centro do debate democrático caótico. É justamente aí que entra o fundamental papel da jovem advocacia: superar esses desafios e reafirmar nosso juramento de “exercer a advocacia com dignidade e independência, observar a ética, os deveres e prerrogativas profissionais e defender a Constituição, a ordem jurídica do Estado Democrático, os direitos humanos, a justiça social, a boa aplicação das leis, a rápida administração da justiça e o aperfeiçoamento da cultura e das instituições jurídicas”.