A Anistia Internacional, Organização Não-Governamental de Defesa dos Direitos Humanos, com âmbito de atuação mundial, emitiu, no dia 18 de abril, relatório acerca da situação de milhares de refugiados atualmente “encurralados” na Grécia Continental. O panorama desemboca na criação de um verdadeiro limbo entre a União Europeia e África, no qual redimem suas existências migrantes desamparados, tolhidos em sua possibilidade de escolha.

De acordo com a Agência, os líderes institucionais europeus estariam sendo coniventes com uma situação de “calamidade humanitária”, consistente no fechamento das fronteiras com a Macedônia, caminho de rota dos Balcãs. Neste cenário, quarenta e seis mil pessoas restam largadas à própria sorte, em “miséria e quase abandono”, enquanto quedam inertes as forças europeias no sentido de realocar a população de refugiados.

Imersos em medo e incerteza, os migrantes permanecem sem respostas, na medida em que, dos 66.400 solicitantes de asilo europeu, computados deste 15 de Setembro de 2015, apenas seiscentos e quinze foram relocados para outros estados-membros da União Europeia, conforme dados da própria Comissão Europeia. Na avaliação de John Dalhuisen, diretor da AI na Europa e na Ásia Central:

Os Estados-membros da UE apenas têm exacerbado esta crise ao não agirem de forma decisiva para ajudar a relocalizar as dezenas de milhares de requerentes de asilo, a maioria dos quais são mulheres e crianças, encurralados na Grécia. Se os líderes da UE não cumprirem urgentemente as promessas de relocalização feitas e de melhorias nas condições de refugiados e migrantes sitiados, irão ter pela frente uma calamidade humana por eles mesmos construída

A Grécia conta com trinta e um centros de acolhimento temporário, atualmente, sem computar os vários informais, existentes, por exemplo, no Porto do Pireu, no qual estão alocadas aproximadamente três mil e cinco pessoas. Estes acampamentos não possuem mínimas condições estruturais para a manutenção digna das pessoas que abrigam.

“É a confusão total – não há nada aqui… Toda a gente dorme no chão no antigo terminal. Não temos nem as coisas mais básicas. Eu não durmo ali, cheira mal demais”, depõe um senhor afegão, solicitante de asilo atualmente alocado em um centro temporário de acolhimento em Elliniko. “As condições aqui não são boas e dormimos no chão; os nossos cobertores estão encharcados. Não há casas de banho. É por isso que as pessoas andam a ficar doentes”, relatou uma senhora síria, grávida de nove meses, localizada em um campo improvisado em Idomeni, aos peritos da organização.

Em conclusão, o relatório solicita que os Estados-Membros da União Europeia apoiem a Grécia no acolhimento dos refugiados, mantendo condições dignas para a manutenção destes, além de demandar que estes promovam urgentemente a realocação dos migrantes.

A reunião da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas o tema será posto em pauta, em setembro, com o fito de debater maneiras de compartilhar a responsabilidade pelo acolhimento de refugiados. A Anistia Internacional, com vistas a conferir maior legitimidade às exigências de cumprimento dos Direitos Humanos, promove um manifesto, subscrito via online por pessoas do mundo todo, para apoiar a proteção daqueles que, em situação de vulnerabilidade, merecem guarida não só das nações acolhedoras, como da comunidade internacional como um todo. Para acessar, clique aqui. Para ter acesso ao relatório “Trapped in Greece: an avoidable refugee crisis” (Encurralados na Grécia: uma crise de refugiados evitável), clique aqui.

Fontes:
https://anistia.org.br/?post_type=noticias&p=8808&preview=true Acesso em: 20 de abril de 2016.
http://www.tsf.pt/internacional/interior/presos-na-grecia-uniao-europeia-esta-a-encurralar-os-refugiados-5131171.html Acesso em: 20 de abril de 2016. 
http://diariodigital.sapo.pt/news.asp?id_news=821346 Acesso em: 20 de abril de 2016.
http://www.dn.pt/mundo/interior/grecia-pode-converter-se-num-deposito-de-refugiados-5129610.html Acesso em: 20 de abril de 2016.

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