Em 24 de junho de 2015, um brasileiro foi a um banco estado-unidense do estado do Texas depositar o dinheiro que sua irmã enviou para sua filha, que estuda nos arredores de Houston. Contudo, não foi capaz de fazê-lo, pois todos os dois mil e oitocentos e vinte dólares sob sua posse eram falsos. O mais surpreendente é que a Polícia Federal, em virtude desse caso, hoje investiga outras treze transações financeiras envolvendo dólares falsos na Agência Central de Recife, mesma agência que colocou o Sr. João em situação tão delicada.

Ainda na mesma temática, o Banco Central Europeu apreendeu, entre janeiro a julho de 2015, o total de 454.000 notas de euro falsas, o que acusa um aumento de 37% em relação ao mesmo período no ano anterior. Note que não se fala no valor estampado nas notas, mas no número de notas apreendidas. Com a crise na Grécia, onde os cidadãos gregos só podem retirar sessenta euros por dia, e com a imigração em massa de refugiados em busca de uma vida mais digna, imagina-se mesmo que há procura maior por notas falsas.

Mesmo havendo leis que buscam punir a fabricação e a colocação em circulação de notas falsas em todos os territórios citados e especial atenção na apuração de tais crimes¹, a fabricação de moeda falsa apenas cresce no mundo e, por consequência, as pessoas civis sofrem imenso prejuízo, visto que, mesmo que sejam entregues aos devidos destinos, as notas falsas não são trocadas por verdadeiras.

Com esse panorama em mente, é imprescindível saber reconhecer notas falsas, mesmo porque, graças à tecnologia, existem diversos indicadores da veracidade de uma nota e alguns deles são comuns nas diferentes moedas. Dessa maneira, começaremos pelo real e, depois, passaremos às notas estrangeiras.

Existem duas “famílias” do real, a antiga e a nova, tendo em vista a introdução de novas notas a partir de 2010, com as notas de cem e cinquenta reais, a qual terminou em 2013, com a circulação das notas de dois e cinco reais. A segunda família do real trouxe consigo notas mais complexas e difíceis de reproduzir, sendo uma das moedas de mais confiáveis no mundo.

Caso a nota seja da primeira família, atente para a presença de marca d’água com a face da república (fácil de se visualizar quando se coloca a nota contra a luz), os desenhos latentes e bem nítidos (se borrados, a nota é, provavelmente, falsa) e a presença de relevo.

Se a nota for da segunda geração, verifique, contra a luz, a presença da mesma marca d’água e também do número oculto (que fica no centro da moeda, em baixo, ao lado do valor da moeda e só aparece?). Observe também, nas notas de cinquenta e cem reais, se há faixa holográfica (que deve ter brilho metálico), se o número muda de cor nas notas de dez e vinte reais e se há alto relevo.

Apenas a título de curiosidade, o método mais confiável, que alguns consideram infalível, para perceber se uma nota de real é falsa é colocá-la sobre luz negra, e isso vale para ambas as famílias. Dessa maneira, é possível observar fios luminescentes incorporados ao papel da nota e, se a cédula for de segunda geração, será possível ver, ainda, o valor. Muitos lojistas carregam consigo uma lanterninha em forma de caneta capazes de identificar notas falsas por conta desse indicador.

Vejamos a imagem a seguir:

nota real

Diante da complexidade do real e da dificuldade em fazer uma cópia crível, raramente se encontram notas falsas de cédulas de pequenos valores, como dois e cinco reais, sendo mais frequente a apreensão de notas de cinquenta e cem reais.

Outra moeda munida de diversos artifícios é o euro, que possui muitas características semelhantes ao real, mas que inova em criatividade. Quando em posse de um euro, coloque-o contra a luz e observe se: (a) os números cortados, localizados a esquerda (ou a direita, no anverso) e ao alto, se completam; (b) se há uma faixa escurecida próxima ao meio da nota; (c) se, nas notas de cinco, dez e vinte euros, no holograma presente na faixa metálica, aparece o símbolo do euro em meio a formas geométricas variadas; (d) se, nas notas de cinquenta, cem e duzentos euros, é possível observar círculos concêntricos reproduzindo as cores do arco íris, e; (e) se na de quinhentos, as representações se alternam entre o valor da moeda, uma janela e um portal.

Em outros aspectos as notas são semelhantes ao real: a textura do papel é única (com a particularidade de ser constituída totalmente de algodão), o relevo nas notas é evidente, por conta da maneira como foi impressa. Ademais, é possível ver a bandeira da União Europeia e a assinatura do representante do Banco Central Europeu quando a nota é colocada sob luz negra.

Por fim, o dólar, surpreendentemente, não seguiu as “tendências” de supercomplexidade da moeda, na verdade, os americanos ainda confiam nos velhos métodos, que não foram descartados por outros países: papel e tinta diferenciados, com pequenos fios incorporados ao papel da nota, desenhos bem nítidos e vívidos (notas falsas são meio borradas), marca d´água com a imagem de figuras históricas e uma faixa observável por meio de luz negra ao lado do número indicador do valor da nota.

Esses são apenas alguns métodos de averiguar a veracidade das moedas, é possível encontrar outras particularidades na Internet e os departamentos de perícia possuem métodos próprios para testar cédulas.

Fique atento!

Referências: 
[1]No Brasil, a Polícia Federal é responsável pela investigação; nos Estados Unidos, é o Serviço Secreto e; na Europa, há um sistema de cooperação entre polícias e judiciários dos países da Zona Schengen, o SIS.
http://www.nouveaux-billets-euro.eu/Les-billets-en-euros/Les-signes-de-s%C3%A9curit%C3%A9/REGARDER/Le-nouveau-billet-de-20%C2%A0euros
http://www.federalreserve.gov/boarddocs/rptcongress/counterfeit/default.htm
http://www.uscurrency.gov/
https://www.bcb.gov.br/novasnotas/index.html