O título da notícia pode parecer estranho, mas é verdade. Dois homens com o nome Luís Augusto, moradores de Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, descobriram recentemente que são xarás de um presunto. Isso porque a empresa Sadia – que, após a fusão com a Perdigão em 2009, formou a BRF Brasil Foods S/A, uma das maiores empresa do ramo de alimentos no Brasil e no mundo – divulgou uma propaganda em que um hipotético presunto concorrente era nomeado como “Luís Augusto”.

Após a popularização do comercial na televisão, os dois Luíses Augustos passaram a ser apelidados de “presuntinho”. A partir disso, e de outras brincadeiras correlatas, os dois homens resolveram ajuizar ação contra a Sadia pedindo, além da retirada imediata da propaganda, indenização de R$ 30 mil para cada por danos morais.

O despachante Luiz Augusto Ribeiro, de 45 anos, afirma que até mesmo um de seus dois filhos passou a ser alvo de chacota na escola. “Brincaram com meu filho dizendo que ele era o filho do ‘presuntão’. Daqui a pouco estão chamando a minha mulher de queijinho. Isso não se faz com ninguém. Toda vez que veiculam essa propaganda estão denegrindo o nosso nome”, informa Luiz Augusto.

O outro autor da ação, o comerciante Luís Augusto Mascarenhas, de 42 anos, também reclama das inúmeras “piadinhas” que tem sofrido. “Depois que começou a propaganda na televisão, eu não tive mais sossego. Toda hora, todo instante, vem alguém me chamando de presuntinho. Fazendo piadas com capa de gordura do presunto. Eu até levo na esportiva, mas é chato, é constrangedor. Por isso, resolvi entrar com a ação também. Dar um basta nessa situação”, informa Luís Augusto.

Na propaganda, uma jovem chega a uma padaria pedindo um presunto. O atendente oferece um presunto Sadia à cliente e também um presunto “Luís Augusto”, que é assim batizado por estar há muito tempo no estabelecimento, e que é preterido pela moça, que ainda afirma ter ele “má aparência”. De acordo com o advogado dos dois litisconsortes ativos Luíses Augusto, Allan Hoppe, de 40 anos, a propaganda ofende o direito à personalidade dos seus clientes, mais especificamente o direito ao nome. Usa como base para a sua ação o art. 17 do Código Civil: “o nome da pessoa não pode ser empregado por outrem em publicações ou representações que a exponham ao desprezo público, ainda quando não haja intenção difamatória”.

A empresa tem processo pendente desde o dia 19 de julho no Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (Conar), entidade privada que visa fiscalizar eventuais abusos veiculados em propagandas, podendo inclusive tirar do ar por meio de julgamento colegiado. Segundo o órgão, já foram recebidas centenas de reclamações devido à mesma propaganda, a maioria feitas por pessoas chamadas “Luís Augusto”. A previsão é que o julgamento ocorra apenas em setembro.

Nota da sadia

Devido à polêmica, a empresa Sadia divulgou nota afirmando que a escolha do nome foi mera coincidência, a exemplo do que ocorre na teledramaturgia e do que ocorreu no bordão “nem a pau, Juvenal”. Segue a íntegra da nota:

“A Sadia esclarece que, como obra de ficção, as semelhanças e a escolha do nome Luís Augusto para a campanha são mera coincidência, à exemplo do que já observamos na teledramaturgia. Portanto, o filme segue o mesmo tom irreverente e característico das campanhas publicitárias da marca, como o clássico bordão ’Nem a pau, Juvenal’ ou quando o fatiador de frios oferece um tijolo ao consumidor, que pediu para ‘dar uma olhadinha’ no presunto que não era da marca Sadia. Líder na categoria de presunto no País, o principal objetivo da ação é ressaltar a alta qualidade do produto da marca, que tem expertise no segmento e excelência no processo de produção”.

Referência:
http://extra.globo.com/noticias/economia/luizes-augusto-abrem-processo-contra-sadia-por-causa-de-propaganda-de-presunto-19831310.html

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